O encontro do eu
O olhar derrama lágrimas, salgadas e fortemente sentidas, mas não significa que sejam apelidadas de depressão. Significa que se está a respeitar, a libertar as emoções encurraladas, a fazer o luto de alguma situação.
É necessário derramar essas lágrimas.
É necessário estar triste para ficar feliz, é necessário chorar para depois sorrir, é necessário gritar para se encontrar. Para se entender a razão de tudo, para compreender-se, encontrar-se, conhecer-se e envolver-se.
Cada lágrima derramada retira uma letra do sufoco que envolve o seu peito...O sufoco dos acontecimentos reais mas que aparentam ser irreais, o sufoco da sensação de incapacidade, o sufoco da saudade.
Esse sufoco que não sufoca, mas que dói.
Essa dor que não magoa, mas que arde.
Esse ardor que não queima, mas que corrói.
É necessário todo esse envolvimento de sentimentos irrepreensíveis para se encontrar, para se levantar.
É necessária essa sensação de amor perdido, dessa ausência mas presença, desse sonho que não acorda para conseguir avançar.
É necessário esse olhar mais apagado, amargurado, disfarçado para que o sorriso volte a renascer.
É necessário essa mente recondida em pensamentos achados e perdidos, desmedidos, sem peso e medida para que a paz se volte a instalar.
Mas não é por isso que está deprimida, louca, insana...Está simplesmente a reagir, a levantar-se, a encontrar-se.
O encontro do eu é como uma ferida, dói quando está aberta, reagimos verbalmente, mas com o tempo sara e a pele regenera.
